Mestre dos sofrimentos e das alegrias imploro a ti minha absolvição.
Há muito, tenho caído nas armadilhas tuas e desta vez não foi diferente.
Sei que és apático aos meus sentimentos, mas sempre arranjaste um jeito de me ludibriar com tuas ilusões e promessas de felicidade.
Tentei mais uma vez e, como foste condolente, achei que venceria.
Fiz tudo como mandaste.
Comecei com calma, cauteloso, não me entreguei de primeira.
Enganaste-me.
Tal fórmula não funcionou.
Vejo vossa obra em inúmeros casais, felizes criaturas emaranhadas de sonhos e desejos.
Deste a eles essa alegria.
Por que as nega a mim?
Às mães, concedes o incondicional.
Supre a carência dos que não tem ninguém com, desculpe o desrespeito, bichos!
A mim, deixaste esse amargor de fracassos.
E, por isso, peço-lhe que findes o meu sofrer.
Desista de mim.
Não nasci para ser teu servo.
Quando me envolvo, torno-me escravo do outro e não do senhor.
Ensinaste-me a arte do teu ofício.
Contudo, sabes, sou um péssimo aprendiz.
Estudei tudo pela metade e minha avidez me destroçou.
Não gostas de intensidade.
Ficas furioso, eu sei, quando alguns confundem tua vocação com a loucura e o desespero excessivo de um outro mestre, que às vezes se passa pelo senhor.
Esse outro eu conheço bem.
Mas dele, já me absolvi.
Agora peço ao senhor, Amor.
Tira-me dessa vida de erros.
Expulsa-me de tua escola.
Porque dela eu não pertenço mais.
Nenhum comentário:
Postar um comentário